segunda-feira, 25 de junho de 2012

Como todo pai que sabe quando está na hora do filho crescer, o tempo não se conteve


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    Em meio aos devaneios da mente, Julie olhava para as planilhas jogadas na mesa, precisava o mais depressa possível terminar o serviço e ir para casa cuidar dos filhos, isso, se o seu querido chefe a liberasse mais cedo. Mas, ela não tirava da mente o encontro que tivera com o seu ex-namorado na noite passada, Richard, continuava o mesmo, alto e moreno, sorrindo sempre que podia para não mostrar as suas fraquezas, os dois se conheceram quando eram jovens, quando ela era apenas uma garota ela esperava o mundo, o via como uma linda porta aberta que os aceitaria mesmo em meio aos problemas.
    Como toda criança a espera de um doce, eles não esperaram o tempo, não queriam saber da escola, de ter um emprego, ou qualquer coisa que poderia significar responsabilidade, mediante a isto, viviam a base do velho ditado “drogas, sexo & rock n’ roll” e como todo pai que sabe quando está na hora do filho crescer, o tempo não se conteve, e deu a Julie o doce prazer de ter em si uma semente implantada, de ter um pequeno ser dentro de si, mas, isso não queria dizer que ambos levantariam a cabeça e tomariam a situação como adultos, ainda eram crianças, não sabiam o que era responsabilidade, nem como lidar com aquilo, a primeira solução que encontraram foi o aborto, mas sem dinheiro, a solução estava perdida, as drogas já não adiantavam, pois a criança poderia nascer do mesmo modo, só que com uma pequena diferença das outras, e isso, apenas significava para eles, mais responsabilidade.
     Desesperados, Julie percebeu que tudo a sua volta mudou rápido demais, queria retomar ao passado, mas já era tarde. As semanas se passaram e com isso Richard prometera arranjar um emprego e trazer paz a futura família, como qualquer mulher, Julie se iludiu pelo brilho da paixão e não percebera que Richard estava tomando tempo para ir embora, e se divertir do modo que queria.
     E o tempo, passou rápido demais, Julie se via abandonada vivendo na casa de uma companheira de festas, mas, sua companheira perdia rápido a paciência e não via a hora daquele projeto de grávida ir embora de sua casa. Tomada pela dor, e pela falta de atendimento médico, Julie perdera o bebê.  
     Julie retomara a consciência com o bater do chefe no vidro de sua sala, ela sorriu e continuou seu trabalho, após lembrar-se de tudo aquilo, ela agradecera por ter encontrado em meio aquele desespero um homem que a acolhera em sua casa, Steve, que a tratou como uma filha até seus trinta anos.
    Steve acolheu Julie ao vê-la em um bar, cheia de maquiagem velha, chorando em um canto, mendigando por alguns trocados, Steve estava acostumado a ver mulheres desse modo lá, mas, viu algo em Julie que jamais vira em alguém, era um brilho, um brilho no olhar que mostrava o quanto era guerreira, e que enfrentaria o mundo para continuar em pé. Como homem de negócios, reconhecia bem uma futura empresária quando via uma, sua única escolha foi falar com a jovem sobre a sua casa, e como ela poderia ficar lá, e como iria providenciar do tudo e do melhor. Sem escolhas, ela aceitara o convite.
     Se não fosse por Steve, Julie poderia estar pedindo esmola na rua até que seus pés se tornassem grandes bolhas de sangue, e que seu corpo não aguentasse a falta de alimento. Mas, diferente do que Steve pensava Julie não queria tomar conta de nada, considerava que o mundo já tinha a dado uma segunda oportunidade, e dessa vez, ela não queria assumir nenhuma responsabilidade, preferia outra pessoa mandando nela, a imaginar que o mundo fosse uma linda porta aberta, que a acolheria. 



125ª Edição Musical
Tema: Quando ela era apenas uma garota ela esperava o mundo  ♪ (Paradise - Coldplay)

sábado, 16 de junho de 2012

Viver a vida a cada momento

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    Ketylin passava a maior parte de sua vida imaginando como o dia seguinte poderia ser, pegava um pequeno pedaço de papel e anotava tudo o que poderia fazer, ficava quieta na janela imaginando como que todos que passavam ali podiam estar tão felizes, tristes, preocupados, se a cada dia ela imaginava algo diferente para fazer, não pensava em desperdiçar sua vida com contratempos ou pessoas que a atrapalhariam na descoberta de si mesma.
    Pegou o seu pequeno pedaço de papel e o grudou na geladeira, pensou “amanhã será um dia e tanto”, sentou-se um pouco na cadeira da cozinha, olhando para suas marionetes que a acompanhavam em sua casa, apesar da grande vontade de viver a vida, Ketylin nunca se importou com quem a acompanharia nesta jornada, já tinha passado dos trinta anos, mas não ligava, sempre que um rapaz resolvia aparecer e tentar algo, ela sempre o despistava, “homens nunca vão servir para nada, apenas para tentar arrancar algo triste de dentro de mim, e eu não sou assim” era o que sempre se passava em sua cabeça, ao ver casais felizes correndo por ai.  Pegou uma xícara de café e resolveu esfriar um pouco a cabeça, parar de pensar no passado, e sim, no que estaria por vir, logo após, escovou os dentes e deitou-se na cama.
     Na manhã seguinte, fez suas malas e as pôs no carro, respirou fundo, olhou novamente seu pequeno pedaço de papel e sua primeira passagem seria correr um quarteirão inteiro sem parar, ela estava lutando para manter o corpo e tinha se cansado das dietas que mais a atrapalhavam do que ajudavam.
     Enquanto estava presa no transito, olhou para o lado e viu alguns velhos amigos andando juntos, alguns estavam de mãos dadas, pareciam bem felizes, “o que será que estão a fazer da vida?” pensou. De repente seu coração começou a bater muito rápido, aquela sensação que só sentira algumas vezes, quando ainda estava indecisa do que fazer da vida, quis chorar e gritar, então parou seu carro em uma vaga próxima, saltou de lá de dentro, não se segurou, precisava de um abraço amigo, precisava contar e saber novidades dos amigos, precisava da presença deles de novo, ela não aguentava mais a vida solitária que escolhera ao abandonar o passado, mas queria amadurecer esquecendo de todos e de tudo, pois, ela sabia que sempre podia cair ao ver alguém que gostara a muito tempo, sem nunca ter dito alguma palavra.
      O seu reencontro foi incrível, uma moça morena com um belo sorriso, que alegrava o coração de qualquer uma foi a primeira a acolhê-la, Ketylin a abraçou com tanta força que não queria mais soltá-la, quando a soltou viu, todas aquelas faces sorrindo, ela não se conteve, precisava tanto daquele momento como mais ninguém.
      Mas, mesmo sendo o tempo o curador de todas as feridas, Ketylin se enchia de raiva ao lembrar-se de como tinha sido cruel ao se afastar de todos eles, se pôs em lágrimas a pedir perdão, mas notava, que tudo aquilo que acontecia, apenas acontecia em sua mente, ainda estava presa no trânsito, sendo despertada por uma buzina de algum rapaz revoltado por Ketylin não se adiantar e prosseguir seu caminho. Enxugou as lágrimas e continuou teu caminho, ela ainda teria muitos desencontros deste tipo, mas não era o momento para se sentir fraca e parar tudo, resolveu continuar com a sua vida, até porque, nenhum de teus amigos resolveu procurá-la e não seria ela que faria isso.
      Ela não sabia se encontraria um conforto no coração algum dia, mas era melhor desse jeito, pessoas vem e vão como o vento, e há ainda centenas delas para se conhecer, Ketylin seguiu caminho para a passarela, para liberar um pouco de endorfina, e seguir caminho para Madri. A partir daí, ela começaria, novamente uma nova vida.
     Não há como saber o que aconteceu com Ketylin, talvez tenha morrido solteira e feliz, talvez tenha encontrado um amor..... Sua vida se baseou em um talvez.

domingo, 10 de junho de 2012

A educação dos ricos


http://weheartit.com/entry/30222805


Na última sexta-feira (8/06) quando fui ao dentista, me deparei com uma revista da VEJA, decidi dar uma folheada nela, e assim, uma matéria me deixou um pouco intrigada, era sobre a forma como algumas provas para avaliar a educação do país podiam ao mesmo tempo distanciar a aproximar Ricos e Pobres.
A questão é como isto acontece, na reportagem eles informavam que quando uma prova tem questões que devem ser memorizadas pelos alunos, ambas às classes sociais se aproximam, e quando a questão é trabalhada com lógica, a distância entre ambas é enorme.
O motivo é que a educação em nosso país ainda é precária, até porque um ensino público comparado a um de ensino particular tem uma quantidade de aulas minitratas de determinada matéria bem diferente, o que prejudica e muito o aluno, alem é claro da determinação e vontade de alguns professores, que parecem com alguns médicos-barbeiros da antiguidade, que só se importavam com o quanto ganhavam, pouco se importando com os mais necessitados que não tinham condições de pagar pelo seu serviço.
A reportagem informava, ainda que, isto pode ser comparado com uma hierarquia, e quando as questões se tratam de pensar, os ricos acabam ficando no topo, e os pobres caem drasticamente na hierarquia, o que se diferencia muito em questões de memorização, em que ambos acabam atingindo a mesma base na hierarquia.
Mas, o que seria o certo? Estimular aos menos necessitados que corram atrás de algo que não lhes foi favorecido, para tentar superar aqueles que todos os dias durante o primeiro ingresso no ensino tem em suas mãos a oportunidade de fazerem o que quiser com a cabeça? Não digo que isto não depende de cada um, mas, digo que um impulso no começo do caminho de um ser pode mudar e muito o resultado final.