quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Uma senhora, uma velha história.

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Olá, sei que é meio estranho e até idiota começar a escrever algo e dizer as minhas qualidades, bem me chamo Sofia tenho sessenta e dois anos de idade, sou daquelas pessoas bem chatas mesmo, pois sempre que alguém aparece em minha residência ou entra em algum tipo de contato comigo começo a relatar histórias de minha vida e chego até a esquecer do que estava falando, algo que para muitos é irritante, pois sou velha e ninguém quer saber das coisas que passei, mas sempre disse a eles: a voz da experiência é daqueles que viveram de tudo, e acredite sou dessas.
É estranho, mas estou sentada numa velha cadeira de palha, e ela faz um barulho irritante, como se fosse uma gata insinuando-se para um macho, chamando-o para procriação.
Pois bem, um dia esbarrei em uma cômoda e encontrei um bilhete no meio do livro que dizia... Desculpe onde estava mesmo? Pois é, esqueci de mencionar qual era o livro, é um velho livro que tenho guardado em meus pertences e espero carregar ele pelo resto da vida que me sobra, e se possível ter ele enterrado junto a mim, sabe por quê? Era nele que eu contava tudo de minha vida: meus namorados, quando fugi de casa, minha primeira relação amorosa, minha primeira noite usando drogas, e por assim vai.
Bem este pequeno pedaço de papel está aqui, entre minhas pernas, realmente, é um velho pedaço de papel, mas em perfeitas condições, sua cor é azul e nele há palavras contidas em diferentes cores. Eu amo este mero pedaço de papel.
Sabe, algo muito interessante aconteceu hoje, encontrei uma filha minha que há anos não via, ela tem trinta e dois anos, cabelos loiros, e olhos escuros, tem o rosto de uma criança, e quando percebo a educação que seu pai lhe deu sei que teve uma boa vida, acho que o meu marido a tirou de mim por que dava a ela má influência, mal completara seus treze anos, e eu estava falando sobre drogas, sobre sexo, e que não era para ela se preocupar se ela fosse lésbica, eu iria entender. Uma coisa que nunca compreendi é por que eu ainda estou casada, mas nem sequer vejo o homem com quem fiquei quase trinta e cinco anos.
Droga, sempre estou esquecendo onde parei, deixe-me ver se lembro interessante tem um pedaço de papel em meio as minhas pernas, deixe-me ver o que é. Eu me lembro bem dele, até hoje tem aquele cheirinho de infância, de adolescência, foi minha mãe que me deu, e com base nisso segui minha vida, mas não fiz conforme ele, pois deixava as coisas acontecerem no mesmo dia, acho que foi por isso que aprontei tanto.
Sinto meus olhos doendo, minha vista cansada, talvez eu tenha que abandonar mais um livro e deixá-lo em algum canto, que nunca mais irei encontrar. Vou-me despedindo de quem por ventura encontrar esta folha em meio a tantas, ou então que encontrar os outros e esse também.
Já me ia esquecendo, a frase era: "Deixe o melhor para o final, pessoas são curiosas. Minha querida."


                                                                                                                83ª edição conto/história

Tema: Encontrei um bilhete no meio do livro que dizia (...)

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