sábado, 27 de agosto de 2011

Uma garota. Um policial.

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Não aguentava mais correr, a polícia estava sempre me perseguindo, qualquer que fosse o lugar que eu me espreitava a entrar, eles me encaravam, com suas lanternas e suas sirenes, prontos para me colocarem algemas e me levarem à delegacia.

Foi em um beco escuro que eu me descontrolei, acabei escorregando numa poça d’água e perdi o equilíbrio, quando dei por mim, já estava dentro de um carro, ouvindo um dos rapazes de roupa azul, aparentemente de idade e com falta de aptidão física, se queixando de tanto correr com seu companheiro, ele disse que se eu o fizesse de novo me daria um tiro, e ainda diria que seria por legítima defesa. O que mais eu poderia fazer? Simplesmente me acomodei no carro e observei a paisagem, nunca gostei daquela cidade, ela era muito escura, lembrava aqueles filmes sobre heróis de Hollywood, que quando uma moçinha está sendo perseguida por bandidos corre para um beco e começar a gritar por socorro, e em meio à chuva aparece um rapaz e manda os vilões largarem as armas.
Exatamente depois de vinte minutos, chegamos à delegacia, já tinha me acostumado com o banco daquele carro, me lembrava uma cama de hospital que no começo é dura, mas depois se torna confortável, em meio a essa sensação senti uma mão dura e totalmente bruta me segurando pelos braços, e uma voz bem mais grossa do que a dos policiais que estavam no carro, quando percebi já estava fora do carro, subindo uns degraus, e com diversas luzes fortes no meu rosto, eram câmeras.
Quando dei por mim já tinha entrado na delegacia e estava sentada numa cadeira, tinha alguns papéis sobre a mesa, e acabei nem ligando tanto para eles. Notei que estava vivenciando um interrogatório e que diferente de todos os meus sonhos não era eu quem iria perguntar e esperar uma resposta, e sim o contrário. Não havia ninguém na sala, mas aquela janela preta estava bem na minha frente, eu sabia que tinha alguém logo atrás dela, observando todos os meus movimentos, diferente dos meus sonhos a sala era bem maior, e também bem iluminada, a mesa era redonda ao invés de retangular, a minha cadeira era confortável e tinha uma cor não muito escura.
Ouvi um barulho de uma chave abrindo a porta, um jovem disse que estava tudo bem, e logo atrás dele havia outro homem, este com cabelos grisalhos e usando óculos, o jovem posicionou-se atrás de mim, enquanto o senhor simplesmente sentou na cadeira e abriu a pasta com os papéis que eu havia ignorado. Senti uma agulhada no meu braço, e soltei um belo de um palavrão. Bati a cabeça na mesa, e perguntei que diabos eles estavam fazendo, o homem apenas respondeu que era uma espécie de vacina que iria me fazer dizer somente a verdade, o jovem jogou fora a seringa e saiu da sala.
O senhor começou a me encarar, começou a jogar algumas imagens na minha frente, com algumas prostitutas que segundo ele tinham sido mortas por um bando de rapazes que há meses eles tentam encontrar, e que faziam parte de uma organização secreta que tinha como fundamento acabar com tudo que não preste para eles e que não dê lucros, em seguida jogou mais algumas imagens, nelas tinham algumas pessoas que sofreram queimaduras de terceiro grau, mas que ainda estavam vivas, segundo ele moradores de rua. Fiquei parada, observando os movimentos daquele homem que não parava de contar sobre esta organização, como se eu não soubesse de nada, havia me cansado de ouvir sobre eles, então deitei a cabeça na mesa e comecei a encarar o senhor, ele cruzou as mãos e botou-as embaixo de seu queixo, como se estivesse pensando, e disse que iria parar de falar de algo que eu já conhecia sobre, e pediu para que eu contasse tudo para ele, até onde os rapazes estavam.
Mas que diabos, foi o que eu pensei, como um policial desses pode achar que eu iria revelar onde eles estão? Ia debochar da cara dele, quando senti uma sensação estranha, um desconforto no estômago, na minha mente, as palavras não iam sair da forma que eu queria, lembrei, era a maldita injeção que o jovem havia me dado, o velho começou a rir e disse que sabia que eu iria esquecer daquilo, então prosseguiu e pediu para que eu contasse tudo.
Sem me controlar, acabei contando tudo o que sabia, comecei a chorar, e sentia toda a minha maquiagem saindo, e as palavras saiam de forma que eu não podia segurar, disse a ele que um deles era um parente e havia me dado a proposta de dinheiro fácil e na época eu estava desempregada, admiti que fiquei encantada com a proposta, e como um de nossos melhores amigos tinha morrido por causa de uma prostituta revoltada por não receber o pagamento do serviço, decidimos começar por essa raça, e motivados pela adrenalina de matar, resolvemos acabar com o sofrimento dos moradores de rua, o mais incrível era encontrar dinheiro de pessoas que jamais imaginaríamos ter, e que graças a isso, conseguimos encontrar mais pessoas que também estavam dispostas a matar, o pior de tudo é que algumas não se controlavam e acabavam matando que não merecia, isso irritava muito, e hoje era o dia de aniquilar esses imbecis, até que alguns policiais haviam nos visto.
O senhor parou o meu discurso e percebeu o sorriso no meu rosto, ele levantou a minha cabeça que estava encostada sob a mesa, e apenas perguntou, onde eles estão? Eu sabia que o soro não iria me deixar mentir, mas uma proposta não seria nada mal naquela ocasião, até por que com o dinheiro que eu havia juntado poderia muito bem viver em paz por alguns meses, foi então que olhei para ele, com toda a maquiagem borrada, e apenas disse que se me deixasse em paz e os levaria até eles. Ele concordou, e então se virou para a janela preta, e disse para o jovem entrar na sala, para me remover da cadeira e me pôr no carro.
A sensação de estar numa cama de hospital voltou, mas dessa vez a única diferença é que eu sabia para onde estava indo, ia me lembrando da rua por algumas cenas, até por que sempre mudávamos de esconderijo para evitar a proliferação de pessoas diferentes, e só algumas continuavam a participar da organização. Foi assim, que eu os guiei e comecei a imaginar como seria a minha vida a partir desse momento, sem ver sangue, sem ver fogo, sem correr atrás de alguém e principalmente sem ver a policia.
Quando chegamos ao local, que estava como de costume escondido em meio às árvores, o jovem abriu a porta do carro, e pediu para que eu me retirasse e mostrasse onde era o nosso esconderijo, imediatamente pedi para que ambos me acompanhassem, e em meio a galhos batendo em minha face, e lama prendendo os meus pés, mostrei a eles o caminho e quando chegamos lá, tudo estaria perfeito, se não fosse por um motivo, aquela velha usina estava totalmente coberta por cinzas, por sangue, e havia diversos corpos jogados ao chão, com o seguinte dizer: “extermine algo e este algo te exterminará”, imediatamente comecei a correr, mas o senhor me perseguiu e me jogou ao chão e disse que o trato estava desfeito. Naquele momento todos os meus pensamentos foram embora, e acabei apagando.

81º edição conto/história
Projeto Bloínquês


lembrando que é apenas uma estória.

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