domingo, 3 de julho de 2011

Um enorme vazio.


“Como eu odeio essa cidadezinha, já não aguento mais ver os mesmos rostos, as mesmas pessoas, as mesmas histórias. Nunca me importei com o fato de ser filha única, de não ter irmãos, acho isso até bom, pois não via a necessidade de correr atrás de alguém, tentando defendê-lo de uma pessoa que viria a bater nele ou o ameaçaria, isso se fosse um bom menino, agora se eu tivesse uma irmãzinha obviamente a deixaria solta no mundo para aprender da mesma forma que eu aprendi. Deixá-la-ia jogada ao chão sendo chutada por inúmeros meninos que iriam dizer o quão feio ela é, iria rir muito ao ver seus olhos cheio de lágrimas e suas roupas todas rasgadas, obviamente eu apenas diria a ela, para aprender sozinha com a vida.
Acho que já conhecem um pouco da minha vida, não que eu tenha sido abandonada em um orfanato desde nova e tenha perdido os meus pais, é só que eu nunca me conformei com o fato de não poder viver a minha própria vida, e correr os meus próprios riscos, mas não são esses os motivos de eu estar aqui, sentada, observando esta maldita cidade. Eu só esperava que este lugar pega-se fogo e se ficasse mais animado, odeio lugares quietos, parados e sem rumo algum, odeio quando todos olham para mim e querem saber de tudo da minha vida. Claro, já roubei, já aprontei demais, mas isso não quer dizer que estes seres têm que vir até mim e perguntar que diabos estou fazendo da minha vida.
Eu sei muito bem o que fazer da minha vida, e se eu for errar, vou aprender com isso. Me desculpe estou fugindo totalmente do real motivo de estar aqui, a verdade, é que eu me cansei de viver aqui, de ver as pessoas que eu amo tomando outros rumos, meus amigos já não são mais meus amigos, minha família está indo embora aos poucos, e com isso cresce um enorme vazio dentro do meu peito, queria tanto, que tudo volta-se atrás, e eu sei que um dos caminhos mais fáceis seria pular daqui, mas me falta coragem, e força de vontade. Por que eu sei que tudo vai melhorar. Por isso, a única coisa que posso fazer, é jogar fora as velhas lembranças que tenho do passado, e erguer a minha cabeça e esperar que um dia eu volte a ver os mesmos rostos de antes, mas quero que todos eles vejam a minha felicidade de poder vê-los de novo.
Apenas, gostaria de mandar um abraço e um beijo a cada um que se foi, mas que ainda vai voltar. Maldição, meus olhos se encheram de lágrimas.”

76ª EDIÇÃO VISUAL - PROJETO BLOÍNQUES

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