sábado, 9 de julho de 2011

Garota de Programa.

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- Espere um segundo, preciso de um cigarro. Pronto, podemos começar a entrevista.
- Bem, meu nome de programa é Karina, já o que consta na minha cédula de identidade é Victória, aos 18 anos resolvi entrar para a vida de garota de programa, muitas vezes já fui chamada de puta, prostituta, safada, entre outros nomes que eu acho que nem existem em nosso vocabulário, mas o que eu sempre dei risada foi o famoso Bitch americano. 
Não que eu tenha escolhido essa vida por que eu gosto de fazer sexo, mas é mais por um motivo de dinheiro mesmo, e o pior de tudo é que nós não somos tão bem renumeradas aqui quanto lá fora, uma vez eu consegui juntar certa quantia de dinheiro e fui para o exterior (a verdade é que eu fui enganada pelo meu proprietário quando comecei a me interessar por essa profissão e ele acabou me tornando uma prostituta ‘internacional’ sem meu conhecimento, e assim vivi a base de drogas e fazendo sexo com pessoas que nem conseguia ver o rosto, por sorte consegui escapar de lá) fora do meu país ganhamos cerca de quatro vezes mais, além de sermos bem tratadas, os rapazes nos elogiam, nos tratam com carinho, não é como aqui que um cara olha para você achando que você é uma vadia e manda entrar no carro dele, e ainda diz aquelas palavras bem feias como: "Chega aqui gostosa! Entra aqui no meu carro, vem ver a potência", acho isso tão baixo e sem sentido, aposto que eles não tratam as mulheres deles desse jeito.
Pois bem, como disse entrei para essa profissão por questão de dinheiro, no começo cobrava cento e cinquenta reais por hora e alguns achavam caro, eu era uma das mais baratas entre as garotas que estavam comigo, isso por que eu já estava independente e conheci uma galerinha lá que conseguia se virar com o dinheiro que arranjava no trabalho, nisso a gente vivia tudo junto, separava as roupas e acessórios do programa, e o restante era para se divertir nos outros dias, quando não tinha muito movimento.
Desculpe-me acabo entusiasmando e saiu do contexto da história. Mas, entrei nessa vida por falta de condições, cheguei a ter que deitar do lado de uma fogueira junto de uns mendigos da rua, pelo fato da minha família não ter condições. Tanto que um dia uma vizinha me disse que eu tinha que escolher entre ficar no meio daquela pobreza ou ir ganhar a vida, foi ai que eu resolvi arrumar as minhas coisas e viver do meu jeito, claro que eu não tive muita educação também, era muito desinformada aprendi a maioria das coisas na rua, tanto é que cheguei a me arrepender de diversas atitudes e aprendi a viver sozinha e do meu jeito.
Atualmente eu cobro bem mais do que antes, em torno de trezentos reais, pois conforme a gente vai aumentando a idade tem que aproveitar a beleza para lucrar, hoje estou com 25 anos, e nem parece. Poxa eu já nem sei mais o que dizer.
Se um dia eu chegar até um filho, eu vou pegar todo o dinheiro que eu juntei para dar uma educação descente para  ele, e vou explicar que o que eu faço é para o futuro dele, mas que ele nunca deve seguir essa profissão. Não por questão de dinheiro, e sim pelo o conceito que empregam você. Claro que já tentei trabalhar em outros lugares, mas quando ficam sabendo que você já deu para alguém de forma livre por dinheiro, eles mudam todo o conceito deles.

7ª Edição Profissão - Bloínquês

Um comentário:

Sixx disse...

Gostei.
Tipo de coisa que a sociedade ignora mas acontece aos montes! São tantos "anjos" que acabam na sujeira.

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