quinta-feira, 17 de março de 2011

Querido(a) Desconhecido(a)


http://weheartit.com/entry/7842417
      
Leia:

     "Olá, não sei como vou começar a relatar algumas das minhas prováveis ultimas palavras, mas tentarei ao máximo me esforçar e quero que leia este pequeno trecho até o final.
     Meu nome é Jacqueline, tenho dezesseis anos de idade, e estava na escola, quando comecei a sentir um imenso tremor, um alerta se alastrou pela cidade, era um terremoto. Isso, eu acho que você já sabe, a maioria dos meios de comunicação devem estar relatando o ocorrido aqui no Japão. Não poderei dizer a você como é passar por algo assim, e sentir a dor da perda, e a felicidade de estar viva. Mas, o que mais me deixa triste, é ver que mais uma vez, fomos vitimas de uma catástrofe, o pior de tudo, não foi sofrer o terremoto e até mesmo a tsunami, o pior foi reviver algo, do passado, reviver a sensação de estar sentindo os impactos da radiação. Infelizmente, falhamos um pouco, em deixar isso acontecer, talvez não estivéssemos tão preparados assim. O estranho de tudo, é que não estou pensando tanto no presente, estou imaginando como vai ser o futuro, como será que tudo isso vai acabar. Certo eu sobrevivi, outras pessoas sobreviveram, tiveram a sensação de se esconder em algum lugar e pedir imensamente para que tudo termine bem e que nenhuma pessoa querida morresse, mas nada é como a gente quer, perdi milhares de amigos meus, perdi professores, perdi pessoas importantes, mas, eu estou tentando seguir em diante... Estou tentando.
      Está um pouco tarde, e o cheiro de pó, água e restos não saem do meu nariz, isso até me irrita um pouco, estou em um abrigo, cercada por pessoas conhecidas e desconhecidas, alguns estão imensamente tristes, outros já estão erguendo a cabeça para continuar a vida, eu já sou uma exceção, estou imaginando o que vai acontecer com cada um de nós daqui para frente, até por que temos que dormir em abrigos, sendo que tínhamos nossas casas, que se foram junto com a cidade.
      Quero agradecer por ter lido isso, realmente, pode parecer um pouco idiota e tudo mais, mas encontrei esse pedaço de papel junto de uns guardanapos e resolvi escrever, que é uma das minhas paixões.  É isso, e já que você encontrou este pequeno pedaço de papel, que tal tentar me encontrar?
      Ia me esquecendo de dizer uma coisa, apesar de ter apenas dezesseis anos, me abalei muito com a situação, mas daqui em diante, te prometo que vou reconstruir a minha vida, a sim, antes que pergunte “mas você não tem família?” quero dizer que tenho e que minha família não mora comigo, essa é uma das minhas motivações de não desistir.  

Obrigada por me deixar dividir essas palavras. "
34ª Edição Cartas - Bloínquês

3 comentários:

Vinicius Ferrari disse...

é a primeira carta que eu leio em que a personagem principal não morre. Isso é extremamente importante, por que mostra que a menina tem sede de viver, o que é indispensável para uma reconstrução tão necessária, como a que o Japão terá que enfrentar.
Parabéns! Não encontrei nenhum erro de português, e o tema foi abordado brilhantemente!
Tenha um ótimo final de semana!

garotalii disse...

Obrigada Vinicius. Realmente, parte das pessoas que pensam na tragédia, pensam que todos estão morrendo e que não quererm continuar a viver. Por isso, resolvi mostrar, que apesar disso, devemos erguer a cabeça e seguir em frente.

AKIKONOMORI PAGE disse...

Você é uma lutadora vitoriosa da vida. Está nesse momento passando por uma grande dificuldade. Como nós budistas costumamos dizer para ajudar a elevar nosso espírito - namyo-horengue-kyo.
Você conseguirá superar todos os obstáculos , acreditamos em você.

Akikonomori
akikonomori@gmail.com
Brasil - SC