quinta-feira, 3 de março de 2011

Mulher maravilha.



               Mais uma vez, ali eu estava, com o meu rosto repleto de lama, de sujeira, restos de guerra. Caída no chão em lágrimas. Apenas, mais uma memória que continuava na minha mente, havia lutado por um país, visto dezenas de crianças serem dilaceradas perderem a família, tentei por muito pouco tempo, salvar algumas delas, dizer que estava ali para ajudá-las, diferente daqueles que apenas as viam, e atiravam incansavelmente nelas, não se importavam se tinham família, apenas queriam ver sangue.
Felizmente isso havia acabado apesar da vida de tais pessoas nunca mais voltar a ser a mesma, me sinto tão frustrada por não poder salvar todos, mas sinto-me triste, pois algumas pessoas não sabem nada da realidade.
              Sentada num banco qualquer, de um avião militar, percebi que estava quase na hora de descer, mas, dessa vez eu sabia qual era o meu destino, iria encontrar minha pequena princesa, meu doce, minha motivação de continuar lutando todos os dias para viver. Minha pequena filha Isa de apenas cinco anos de idade, era um fofa, apesar de sofrer a cada instante que a mamãe aqui ia para a guerra.
              Ela me chama de heroína nas cartas, por salvar pessoas, e por não morrer, diz que sou como a “mulher maravilha”, só que da vida real.
              Mandy fechava os olhos mais uma vez, queria descansar, e deixar todo o glamour de sua filha, contagiá-la e remover de teus pensamentos a cenas de morte. Foi quando, uma luz começou a piscar, era hora do desembarque. Mandy pegou sua mochila, arrumou a roupa, verificou se sua bota não estava manchada, para não assustar a pequena Isa. Sentia-se feliz, pois iria reencontrar sua filha, seu marido, depois de quase dois anos.
              Uma mulher os guiou até a saída, como se Mandy nunca tivesse desembarcado, foi assim que uma super lotação de pessoas surgiu, fotógrafos tiravam várias fotos, procuravam por pessoas que haviam perdido algum membro para colocar como manchete num jornal qualquer.
É quando, uma simples palavra, faz surgir de Mandy um sorriso, “mamãe”.
              Quando virei o rosto, me senti tão feliz, minha pequena Isa, estava ali com seu vestidinho listrado de rosa, como ela havia crescido, como eu pude ser tão idiota, de deixar um bebê sem a mãe. Não agüentei, eu precisava chorar meu amado marido, apenas de longe observou o rosto e sentou-se no chão e começou a agradecer a Deus por eu voltar.
Éramos uma família novamente.

58ª edição visual

Um comentário:

AKIKONOMORI PAGE disse...

Fantástico relato. Gostei muito. Estou emocionado. Obrigado.